Saramar




Réquiem

Na festa vermelha dos sentidos,
verto o sangue do amor, incômoda utopia.

Dobro o corpo e me entrego,
sem remorso,
à féerica farsa dos tristes,
de quem ousou ter esperança.

Sobre a ilusão, enfim desfeita,
de fados,
de flores,
do amante em madrugadas
de íntimo e sereno desfalecer,
pousa a névoa do esquecimento.

Verto o sangue, sangro o seio.
Se pudesse secar o pranto,
seria suave a dor
pelo meu sonho de amor,
enfim morto.




4 comentários:

Sônia disse...

Amor...incômoda utopia.
Ninguém melhor que Saramar pra falar de amor.

darlene disse...

Amores, quando se vão guardamos no coração.

Joe_Brazuca disse...

Dobrei meu corpo,Sorvi o poema.
Sangrei...
Fantástico !

Mimi disse...

Saramar é luxo sempre!

E nem precisa estar transcrita num pretinho básico!