Vitoriano Palhares




Negro Adeus

Adeus! já nada tenho que dizer-te.
Minhas horas finais trêmulas correm.
Dá-me o último riso, para que eu possa
Morrer cantando, como as aves morrem.

Ai daquele que fez do amor seu mundo!
Nem deuses nem demônios o socorrem.
Dá-me o último olhar, para que eu possa
Morrer sorrindo, como os anjos morrem.

Foste a serpente, e eu, vil, ainda te adoro!
Que vertigens meu cérebro percorrem!
Mente a última vez, para que eu possa
Morrer sonhando, como os doidos morrem.



Imagem: Silvia Marmori

3 comentários:

morenocris disse...

Que imagem...adoro portas, portões!

Tudo que abre e fecha também.

Beijinhos.

darlene disse...

Triste...
A figura é bela...inspira recomeço...iluminação.

Sônia disse...

Me lembrei do Chiquinho...rs

Eu bato o portão sem fazer alarde,
eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade,
e a leve impressão de que já vou tarde...