Rei




A BICA

Arrastava seu olhar cinzento
Pela tarde
Encapava seu sorriso
Com máscara de ferro
E subornava seus gestos
Com uma placidez de assassino
Pisava a estrada
Como quem esmaga pedras
Seu corpo
Absolutamente reto
Absolutamente frio
Escondia o ardor que sentia
Parecia seguir
Com absoluto destino
Mas sem chegar a lugar algum
Na beira do caminho
Encontrou uma bica na fonte
E então lavou seu rosto
Mas na verdade soluçava
Saiu
Assim retornou ao seu olhar cinza
Afivelou seu sorriso com máscara de ferro
Subornou seus gestos
Esmagou pedras
Tornou seu corpo reto e frio
E caminhou com um destino desatinado
Era a primeira decepção amorosa
De um rapaz de 17 anos




3 comentários:

darlene disse...

A primeira desilusão é fogo, mas as outras não são mais fáceis.
Figura ímpar, amei.

Saramar disse...

Perfeitos, o poema e a imagem.
Os homens, estes seres diferentes, sofrem de outro modo, apesar de ser também "cinza" a feminina dor do amor perdido.

Gostei!

beijos

Sônia disse...

Levar uma bica não é fácil mesmo!rs...nem aos 17, 30, 50...rs