Saramar





CIVILIZAÇÃO

Sob o breu da cidade
sob a luz da cidade
cega e muda
dormem anjos e demônios
em improvável conúbio.
sob a cegueira automática
dos sãos
multiplicam-se os pesadelos
concretos
nos vãos das almas trêmulas
a gemer seus medos, seu frio
sem que uma mão se junte a outra mão
ou um olhar se erga para enxergar
o outro olhar.
na tecnológica caverna
abrigo de todos os terrores
dobrado sob o breu e a luz
da civilização
sob o frio
dentro do medo eterno
teme o homem
treme e arde
o homem.


2 comentários:

darlene disse...

Lindo, Saramar sempre faz bonito.

Sônia disse...

E o homem ainda vai arder muito mais! Ele nem imagina...