Edgar Alan Poe




Um Sonho Num Sonho

Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.

Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia…
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.

O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.
Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.

Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.

Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar

um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?





Imagem: Kevin Pynardy

Um comentário:

darlene disse...

Solitário, vazio, etereo....
Achei muito triste, sofredor...
Um sonho de um sonho pode ser algo divino, esplendoroso, quem escreu deveria estar muito triste, perdendo as esperanças.