Ildásio Tavares




Soneto da posse

Amar é possuir.
Não mais que o gozo
Quero.
Não sei porque desejas tanto
escravizar-me; escravizar-te.
Quanto menos me tens, mais me terás.
Gostoso é ser-me livre, alegre, escandaloso –
o peito aberto pra cantar meu canto;
os olhos claros pra ver todo encanto;
as mãos aladas, pássaros sem pouso.
Abre-me o corpo, vem dá-me o teu vale,
e a esconsa flor que ocultas hesitante,
pois o que falo o falo sem que fale
em tom de amor.
Quero vaivem, espasmo -
um corpo a corpo num só corpo palpitante,
dois no galope até o sol de um só orgasmo.


3 comentários:

Mag disse...

Muito, muito bom

darlene disse...

Ui....muito bom

JESSÉ BARBOSA disse...

quanta profusão de lirismo na descrição do amor carnal.

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA