Perpétua Amorim




Inquietude

Quando aninha cá dentro
Uma saudade de não sei o que
Uma inquietude danada
Dessas de doer as entranhas
Misturando os sentimentos
Buscando uma estranha razão.

Mas quem disse que eu procuro razão?

Quero mesmo é divagar
Entre sonhos e pesadelos
Entre o real e o abstrato
Correr como corre o rio
Com sua língua desvairada
Lambendo pedras e ribanceiras
E sem culpa cuspir no mar.

Mas quem disse que eu procuro o mar?

Quero mesmo é pegar as estrelas
Olhar uma a uma na palma da mão
Fazer delas um banquete
Para o meu pobre andarilho
Que busca mais... Muito mais
Do que água e pão.

Mas quem disse que eu quero pão?

Quero mesmo é cavalgar por montanhas infindas
Atrás do meu ouro em potes
Que herdei de Ali Babá
Libertar-me da antiga túnica
E vestir meus sete véus
Engasgar-me com o que restou do vinho
E ser expulsa dos céus.

Mas quem disse que eu não quero os céus?




4 comentários:

Sônia disse...

Mas quem disse que eu não quero os céus? Ha...eu quero...

Sônia disse...

Já ia esquecendo...linda imagem Léo!

darlene disse...

Será que queremos o que ainda não temos?
sua inspiração me comove Leo, mui lindo

Perpétua Amorim disse...

Léo, fiquei muito feliz ao encontrar meu poema no seu bloq. Ficou linda a imagem que vc usou. Obrigada por divulgar o meu trabalho. Perpétua Amorim