W.H. Auden






FUNERAL BLUES

Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços
brancos das pombas de rua
e que guardas de trânsito usem
finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite,
minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado
As estrelas não são mais necessárias;
apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era.


2 comentários:

darlene disse...

Chega ser incompreensivel que o amor por outro seja maior que o por nós mesmos.
O amor das letras sempre é tão intenso, no cotidiano, a vida apenas continua.
A grandeza e a imensidão da natureza não se abalam.
O sol insiste em brilhar no dia seguinte, ainda bem.

Sônia disse...

Bom...muito bom!