Henrique Cartaxo






Seventeen years old

Não é uma boa noite para passear nos telhados, chove sobre minha cidade.

Estar aqui sempre parece decisivo, o reencontro com a origem traz ares para novos inicios. Tenho em minhas mãos e ao meu redor algumas evidências de quem tenho sido ao longo dos anos. Não mudei muito, apesar de agora estar tudo mais rebuscado, complexo, tudo em miúdos. Achei um recado de aniversário de uma amiga, dizia que eu era único. Será que ela se lembra?

Reconheço em mim hoje uma boa pessoa, tenho um certo orgulho de quem sou, mas carrego uma incerteza terrível a respeito de onde isso vai dar. Estou de novo, como estive na maior parte dos últimos anos, vazio de grandes vontades.

Isso é um tanto preocupante, porque em breve será necessário fazer movimentos bruscos, a continuidade não será possível.





3 comentários:

Sonia disse...

E a vida não é isso? Uma estrada
que ao findar vai dar em nada, nada do que pensávamos encontrar.

darlene disse...

Compreendo essa sensação, as vezes a espanto e faço de conta que não existe. Dizer que não existe nada além, não vou. Digo sim, que o caminho é arduo e nem sempre encanta, os revezes artodoa, e tem horas que não quero nada mais do que me alienar, esquecer. Força para continuar? Deus e princípios são uma boa opção, segundo meu olhar, é claro.

Sonia disse...

Está certíssima Darlene! Deus. Se não fosse por ele, eu já teria me dado um tiro.