Fernando Py





Confissão

Não direi do desgaste a que me exponho
no trabalho e suor de me conter
sob muros agressivos e silêncio
cuja acidez dentro de mim escalda
e me castiga as vísceras e a pele.
Darei parcos indícios dessa algema
que vai mordendo, abutre, o sangue e os nervos
e me abate e renasce ao infinito.
Percebo presos ao asfalto os pés
e, feras, sobre mim convergem brasas
rugindo. E pedregulhos, galhos de árvore,
limitam-me a visão e me povoam
a memória de cifras e destroços.


Imagem: Léo (Escada 1950)

2 comentários:

darlene disse...

Valeu Leo, de que lugar é essa escada?
O poema é muito triste, muita dor.

Sonia disse...

Gostei da imagem e do poema.