Marcus Vinicius Quiroga





Perprtuum Móbile de Magritte

Olhar é um exercício de peso
requer músculos para abstrair
e manter o objeto em equilíbrio

O reflexo torna-se o espelho
e move-se ao redor de si mesmo
mecânico, preciso, presto

A ilusão deforma a figura
em jogo de sombra e geometria:
engano à primeira vista

Com o tempo vê-se o truque
mas ele faz parte do quadro
como pergunta que, se pintada,
Propõe pensar outros ângulos
desfazer o até então familiar
e lugar-comum fora de lugar

Recupera o espanto
a efemeridade perpétua
do homem preso na tela

O rosto se movimenta, círculo
de observações da mesma cena:
nenhum objeto é idêntico

O que é magritte ou chirico
também não se sabe, se lado a lado
fingem afinidades e correlatos

Em um mundo que se desloca
permanentemente e sem propósito
estranho, quanto mais próximo,

E, se aos olhos surpresa joga
em móvel exercício de peso,
busca a visão sem excesso, seca


Obra: Magritte



Um comentário:

Sonia disse...

Aprecio as obras de Magritte.
Ficou perfeita aqui nesse poema.