Marcos Caiado







Era o fim
do fio da linha.
era enfim,
o mais dolorido
espinho
ungido pelas mãos
de um anjo ruim:

- a vida sozinha
outra vez.

era a amargura
do inverno,
e seus indeléveis
reveses,
despetalando silêncios.

salmoura de desertos
sobre tão ternos afetos,
(o inverso de deus
em uma lua doente).

era a madrugada
a desabençoar,
de todo,
o sempre agosto.

e o vento maldito
da saudade
colhendo sombras
em meu dorso.


Imagem: Christel Eldrim



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