Brasigois Felício







Elogio a mediocridade

Há pessoas que são cintilantes, esfuziantes,
relampejantes, estrondosas mediocridades.
nulos e meio em tudo o que pensam,
assim se fazem enfezadas – cheias de fezes –
em tudo o que fazem.E sendo do tipo
emblematicamente mediocritas
passam da medida, desmentem o bom senso
- ferem de morte a inteligência da verdade
e como são desprovidas de luz própria,
todo o prazer que desfrutam é apagar o sol dos outros.
retumbantes e espetaculosos em tudo o que fazem
em sua mediocridade caudalosa e tonitroante,
tornam-se arrogantes, alucinantes
- nanicos morais se fazem de gigantes,
adquirem poder capaz de ocultar a verdade.

Medíocres dos pés à cabeça, e até a tampa,
são infestadas de vaidades – facilmente enfezáveis,
posto que sua infelicidade tem fé pública,
vivem na presunção de que todos dependem
da sua extrema-unção.E como são imexíveis,
indemitíveis, irreprocháveis, em sua execralidade,
desfilam com pompa e circunstância, em sua
monumental desqualidade humana. Fazem
discursos de horas sobre a ideal quadratura da terra,
e são aplaudidas por outras cavalgaduras
Pagas para dar aval à sua ilusão
De que são senhores da vida e da morte.
Assim prosseguem em sua arenga
em implosão de demência e desfaçatez inclemente,
aplaudida pela corte dos inconsequentes
do redil dos venais, e das vestais da inconveniência
- podendo assim serem estúpidas e brutais
em suas bravatas delirantes, como se fossem farsantes
de um poder coroado até mesmo
pelas maiores universidades do mundo
sendo que os prostitutos versejam
sobre seus feitos homéricos.
e como são sólidas, vitoriosas mediocridades
infensas a pudor ou complexo,
com seus rompantes rascantes
vão arrostando valentias de bêbados
e as que são horríveis harpias
são despudoradas sedutoras
de tudo o que é atraído
pelas desmesuras do mau gosto.

Sim, essa gente existe, e se multiplica como praga
e como faz grande sucesso de crítica e de público,
há gente que, para não sofrer insultos,
põe em silêncio oneroso
a sua voz inteligente, e tem vergonha de ser honesta
em face do retumbante triunfo
desta gente que jamais foi prestante,
e não guarda ambição ou esperança
de que um dia prestem!

Melbourne, 24-01-013




Um comentário:

darlene disse...

Muito bem dito.