Mimi




Eu?

Não tenho mais
o mesmo gosto.

Os humores
que me escorrem dos olhos,
da língua, do entre-pernas
têm textura mais densa e menos destilada.
Sabor dissipado em desamores.

Não tenho mais
o mesmo rosto.

O cabelo
é moldura de algo menos tenro
(ainda que menos tenso).
Está marcado pelo tempo
garimpado entre meu desvelo e teu desmazelo.

Não sou mais a mesma mulher;
sou soma de restos,
mosaico de sentimentos idos...

Sou sombra daquilo que entristeci:

Eu... envelheci.




4 comentários:

Mimi disse...

Obrigada, Léo, fico muito orgulhosa de ler minhas letrinhas por aqui!
(e um tanto envergonhada, admito)

um abraço

Márcia(clarinha) disse...

Uau!
Que lindo Mimi, que lindo!
carinho meu procê e beijo babado de orgulho, rss

Léo Scartezzine disse...

Façamos o seguinte Mimi. Nem o blogue é tudo isso que vc pensa e nem voce é tão menor do que Clarice Lispector. Poemas são feitos de e para corações. Eles desconhecem nomes.

Marco disse...

Ahhhhhhhhhhh.... Que coisa linda, gatinha Mimi, que é uma coisinha linda!
Eu discordo totalmente desta sua visão poética de ser. Você não envelheceu, você continua a ser uma mulher interessantíssima, seu cabelo é maravilhoso e você é maravilhosa. Ponto final.
Mas parabéns pela bela poesia.
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.